Encontro-me na noite, olho para o mundo lá fora em constante movimento e eu aqui, do outro lado da janela embaciada em torno dos meus sonhos, das minhas memórias, dos meus sorrisos, nada mais importa senão o Mundo onde ando sem destino, sem caminhos estipulados, sem uma resposta. No entanto, é assim que o quero, sem respostas, sem destinos traçados, sem a sabedoria e a monotonia de um dia já programado, que me arrancaria o prazer da surpresa, do transcendente, do inacreditável.
Por vezes criamos teorias nossas, expectativas e crenças em algo impensável, absurdo talvez, para os outros, mas que nos fortalecem e enriquecem como pessoas. Porém, perdem-se no vazio e a nossa tela de cores primárias e secundárias resume-se a duas: o preto e o branco. Não quero crescer, não quero libertar os meus sonhos de criança, quero conciliar as duas fases essenciais da vida, mas tal facto é impossível, pois com o passar dos dias somos constantemente obrigados a crescer, obrigados a viver num mundo que poderia não ser o nosso, se assim o decidíssemos. Mas que direito tem o homem de pedir a uma criança para crescer se ela não o quiser? De que vale crescer no sentido literário da palavra, se a criança nunca cometeria os mesmos erros que um adulto nem punha em causa a Eternidade do mundo? As perguntas permanecem, bem dito quem me souber dar resposta, se a houver.
Continuo a olhar para o exterior da janela e perante todo o movimento, não vejo felicidade, vejo pressa, pressa para a rotina e pressa para ser feliz, e como nada na vida tem a rapidez que desejamos, cada dia que olhar para a janela irei ver o mesmo, movimento apenas.
Não quero estrelas, não quero luas, nem sequer uma facilidade infindável de momentos, quero apenas algo, o acto de viver sem estar a espera de coisa nenhuma, de ceder aos instintos mas com a moderação que não sei ter.
By: Carinna Monteiro @